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Jogar vídeogame pode fazer bem.

Administrador do Sistema
Categoria: Games
28/02/2007



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Pare de implicar com seu filho. Pesquisadores do Brasil e dos EUA garantem que os jogos, se bem escolhidos, estimulam o desenvolvimento das crianças. Na Austrália, são usados até como terapia

Ele maneja com habilidade o rifle Schmidt Scout, ideal para ataques a longa distância. Mira a cabeça do inimigo e dispara só uma vez. O tiro acerta em cheio a cabeça, da qual passa a sair muito sangue. Toda a turma grita, exultante: “Headshot!” (tiro na cabeça). Ninguém ali tem mais de 14 anos e todos estão em uma lan house jogando Counter Strike, um game em que combatem terroristas fortemente armados. Os jogadores têm disponíveis fuzis, rifles e escopetas iguaizinhas às reais. A cena pode parecer chocante para qualquer pai, mas os especialistas dizem que o melhor é relaxar. Por mais que videogames assim pareçam terríveis, não são perigosos para as crianças. “As chances de os jogadores transporem o limite da tela para o real são mínimas”, diz a pedagoga Lynn Alves, doutora em Educação e Comunicação pela Universidade Federal da Bahia e autora do livro Game Over - Jogos Eletrônicos e Violência.

O que parecia ser uma discussão anteriormente restrita aos EUA, aos poucos começa a preocupar pais e educadores no Brasil. Em 1999, o deputado estadual fluminense Alessandro Calazans elaborou uma lei proibindo a comercialização do jogo Aarmageddon no Rio de Janeiro. “Um jogo como este pode influenciar a personalidade de uma criança e adolescente. Ele pode passar a encarar os limites naturais da vida de forma violenta, pois o jogo é um motorista em um carro de última geração, que atropela pedestres e destrói o que vê pela frente, nas ruas de uma metrópole do futuro”, explica Calazans. Em São Paulo, crianças de até 12 anos só podem entrar nas lan houses acompanhadas pelos pais. Há alguns anos o Ministério da Justiça implantou uma classificação etária para os jogos, como a dos filmes.

Gerard Jones, autor de Brincando de Matar Monstros, discorda das proibições e defende a idéia de que as crianças precisam da violência de faz-de-conta. “Antes dos videogames eram os filmes B, quadrinhos e revistas que apresentavam violência, sexo e personagens que preocupavam pais, políticos e professores. Metade das canções de blues valorizam o comportamento anti-social e fazem piadas sujas sobre assuntos que os observadores da mídia gostariam de controlar. Não importa se estabeleçamos limites sobre o que o entretenimento de massa supostamente deveria exibir. Milhões de pessoas vão gostar da sensação de ver o oposto e algumas pessoas talentosas serão inspiradas pela chance de criar este tipo de entretenimento. É assim que a arte evolui”, opina o escritor.

Pais devem também entrar no jogo

Edson Georges Nassar Filho, de nove anos, tem dois videogames em casa e mais de 50 jogos. Já chegou a jogar, sem que a mãe soubesse, Grand Theft Auto, jogo proibido para menores de 18 anos no qual é possível roubar carros, espancar pedestres e gerir uma rede de casas de strip-tease. Quando tomou conhecimento, Isabel Cristina Nassar proibiu o filho de jogar, mas explicou os motivos. “Conversei sobre o jogo e ele aceitou bem”, diz ela. Edson confirma: “Foi tranqüilo.”

Segundo a pedagoga a pedagoga Lynn, a intervenção dos pais é algo positivo. “Os pais devem estar presentes nas escolhas dos jogos, na mediação do tempo que as crianças passam jogando e na discussão dos conteúdos, investigando o que os jogadores pensam das situações apresentadas nos games”, recomenda a profissional.

Os videogames têm sido usados até para reduzir a violência. No estado americano de Oregon, presidiários com bom comportamento ganham um videogame simples, com 50 jogos, medida que diminuiu bastante o número de brigas nos últimos três anos. Na Austrália, está provado que videogames diminuem o estresse de crianças em hospitais e reduzem o tempo de internação. Até a ONU chegou a criar um jogo, cujas cópias baixadas pela internet já ultrapassam 1 milhão. O objetivo do game não poderia ser mais altruísta: levar alimentos para populações famintas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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