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Animal em condomínio ‘é o bicho’

Administrador do Sistema
Categoria: Lar
07/07/2008



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Animal em condomínio ‘é o bicho’

Bárbara Ladeira

Especial para o Diário

A presença de animais de estimação em condomínios ainda é motivo de polêmica. Mesmo não sendo recorrente, a reclamação provoca mal-estar entre os moradores e problemas para síndicos e administradoras. A questão é pontual porque aproximadamente 90% dos condomínios da região têm presença de animais, de acordo com a Associação dos Condomínios do Grande ABC. A inobservância das regras estipuladas na convenção condominial torna o conflito inevitável.

Segundo Gilson Cabrini, presidente da entidade, os condomínios mais antigos proíbem a presença de animais de estimação nos apartamentos. No entanto, essa norma dificilmente é observada pelos moradores. “Quando alguém escolhe morar em um ambiente comum, a obrigação dela é conhecer as regras de convivência antes mesmo de realizar a compra ou o aluguel. Mais tarde, surgem problemas”, ressalta.

 Caso o regulamento não se enquadre nas necessidades dos moradores, pode ser alterado a qualquer momento. Basta convocar uma reunião e que mais da metade dos condôminos presentes votem pela aprovação da mudança. Em geral, essa é a política adotada pelos condomínios em que a presença de animais se tornou inevitável. Nesse novo conjunto de regras são incluídas as condições para que a presença de animais de estimação não provoque a discórdia entre condôminos.

A exigência básica é que os animais sejam de pequeno porte. Os maiores tendem a ficar estressados e a fazer mais barulho quando confinados em ambientes pequenos – caso dos cachorros. Outra restrição é proibir que os animais fiquem soltos nas áreas de convívio. Essa imposição, frisa Cabrini, é a mais importante. O animal é imprevisível e pode, repentinamente, atacar qualquer pessoa. Animais sempre vacinados e livres de pulgas ou carrapatos também é uma exigência recorrente. “É uma questão de saúde. O problema cresce muito quando alguém é contaminado por uma doença causada pelo animal de estimação do vizinho.”

 

Consciência – As normas são o instrumento do condomínio para uma convivência harmoniosa. Porém, esse cenário depende do respeito dos donos de animais às regras. A adoção de uma política de tolerância não terá nenhum efeito se não houver a preocupação básica dos moradores de não incomodar os vizinhos.

 

Cabrini afirma que muitos moradores atropelam as regras e cometem infrações, o que acende o rastilho de pólvora da discórdia. Passear com o animal solto pela área comum e permitir que ele faça as necessidades em ambiente público é motivo de reclamações. “É anti-higiênico. Crianças brincam, põe a mão no chão, levam à boca e se contaminam devido à falta de cuidado desses moradores.”

Angélica Arbex, diretora de marketing da Lello, administradora de cerca de 20 condomínios na região do Grande ABC, afirma que, embora o conflito seja comum, as discussões não vão longe. “As pessoas acabam chegando a um consenso. Nós procuramos encontrar uma pessoa neutra para intermediar o diálogo. Sem acordo ninguém vai a lugar nenhum.”

Quando todas as tentativas de diálogo são frustradas, é necessário aplicar as regras do condomínio por meio de notificação e multa. Em casos extremos, pode ser movida uma ação judicial contra o condômino infrator.

(Supervisão de Roberto Iizuka)

 

Como lidar com animais em condomínios

 

- A presença de animais deve ser discutida pelos condôminos e claramente definida no regulamento

- Caso animais não sejam permitidos pelaconvenção condominial, podem ser estabelecidas regras de tolerância

- As normas de transporte e permanência dos animais em áreas comuns devem ser claras

- O uso de coleiras para animais de pequeno porte é recomendado e deve constar no regulamento

- Devem ser adotadas regras específicas que determinem a presença de certas espécies de cachorros, répteis e animais silvestres

- Em caso de maus-tratos evidentes, o condomínio pode recorrer à notificação, multas e denúncias às autoridades

- O uso de focinheiras para cães de raças mais agressivas é recomendado e deve constar do regulamento

 

Moradora troca apartamento por casa

 

Adriana Mompean

 

As constantes reclamações de uma vizinha e o espaço reduzido para a criação de animais influenciaram a decisão da relações públicas Sonia Marly Giançanti de mudar de um apartamento para uma casa. Sonia tem quatro cachorros da raça Lhasa Apso, de porte considerado pequeno.

Quando tinha dois cães no apartamento, a relações públicas garante que não teve dor de cabeça com os vizinhos. Entretanto, um dos cachorros teve um filhotinho e Sonia também acabou ficando com outro Lhasa Apso, que era de seu filho Felipe.

Com quatro cachorros no imóvel, as reclamações constantes de uma vizinha, que morava no andar de baixo, começaram a incomodar a relações públicas, principalmente após Sonia arranjar emprego e voltar a trabalhar.

 

Cirurgia – “Uma vizinha começou a reclamar com freqüência. Ela dizia que os cachorros latiam muito durante o dia, quando não havia ninguém em casa. A mulher convocou uma reunião de condomínio para discutir esse problema, e chegou a sugerir que eu levasse os cachorros para fazer uma cirurgia para a retirada das cordas vocais. Ela disse que isso acontecia com freqüência na China. Eu não podia acreditar naquilo que estava ouvindo”, afirma.

 

 Para tentar amenizar o problema, Sonia começou deixar os quatro cães na área de serviço e fechar a porta da sacada para abafar o barulho.

 “A mulher continuou reclamando. O engraçado é que era só ela em todo o prédio. A convenção do condomínio permitia animais e não estipulava nem quantidade e tampouco o tamanho dos animais. Não cheguei a pagar multa, pois não estava fazendo nada de errado. Ela tentou convencer outros vizinhos que os cachorros incomodavam, mas não conseguiu”, diz.

No ano passado, a relações públicas decidiu mudar do imóvel por vários motivos. “Os cachorros influenciaram muito na minha decisão de comprar uma casa. Eu poderia até ter procurado outro apartamento, mas quis evitar mais dor de cabeça”, afirma Sonia.

 

Bom senso e diálogo evitam desavença

 

Bom senso e diálogo. Essa é a fórmula para um convívio saudável entre condôminos, principalmente quando as desavenças envolvem animais de estimação, ressalta Sette Borges, há quatros anos o síndico de um dos prédios de um condomínio em São Bernardo. Ele enfrentou esse problema, e a solução não foi das mais amigáveis.

Atualmente, apenas um morador tem animal de estimação, que não causa nenhum problema. No entanto, a convivência nem sempre foi tranqüila. Um dos moradores, que já havia sido síndico geral do condomínio, tinha um cão vira-lata no apartamento. Embora não fizesse barulho, o animal irritava os vizinhos por causa do odor. “O cachorro era muito fedido. Ninguém nem agüentava entrar no elevador junto com o animal. O mau-cheiro era muito forte.”

 Borges recebia muitas reclamações e buscou o diálogo para resolver o problema. “Ele falava que estava pagando aluguel e condomínio e que, portanto, tinha o direito de colocar quem e o que quisesse dentro do apartamento.”

Segundo o síndico, bastava abrir a porta do elevador e o mau cheiro se espalhava pelo ambiente. “Além disso, ele entrava fumando no elevador. Ficava uma mistura horrível de cheiros”, conta o síndico, que cria quatro cães na casa de sua filha. “Não foi implicância, eu adoro cachorros mas precisa ter higiene. Ele não dava banho no bicho.”

 Depois de muitas discussões, o morador optou por sair do prédio. O regulamento indica que é proibida a presença de animais de estimação no prédio, mas Borges prefere optar pela tolerância. “Imagina se nós proibíssemos a permanência de um cachorro de alguma criança. É um sofrimento muito grande e desnecessário.”

Para Maria Emília Arnoni, que há 13 anos é síndica do condomínio onde mora, em São Bernardo, o importante é alcançar o consenso. Embora nunca tenha tido problemas com animais de estimação, ela acha desagradável o convívio com cachorros nas áreas comuns do prédio. “Às vezes, surge alguma reclamação quanto ao barulho, mas nada muito grave. Tudo se resolve com conversa e bom senso.” — BL 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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